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Carta Mensal – Julho 2017

Chega a ser curioso dizermos que tivemos em Julho, na economia e nos mercados, um pouco mais do mesmo do que temos visto há meses. A despeito de toda instabilidade política, a economia tem seguido um roteiro próprio, como veremos a seguir. O IPCA continua em queda e deve fechar o ano ao redor de 3,3%, bem abaixo do ponto central da meta (4,5%), apesar do aumento do imposto sobre combustíveis no mês passado. Em 12 meses até Julho o IPCA-15 acumula alta de apenas 2,78%, extraordinariamente abaixo do que se via há 1,5 ano quando a taxa superava os 10%. O setor externo mantém o viés positivo, com números favoráveis na balança comercial, cujo superávit (US$ 6,3 bi em julho) deve chegar ao patamar recorde de US$ 60 bi no ano, e nos investimentos diretos no país que apontam para US$ 75 bi. Bem acima do déficit estimado (US$ 20 bi) para as transações correntes no período. Os sinais oscilantes de recuperação (muito) tímida da economia também se repetem. Se por um lado, houve geração líquida de 9,8 mil empregos (Caged) e declínio da taxa de desemprego de 13,3% para 13% em Junho, por outro tivemos queda de 0,51% no IBC-Br (prévia do PIB) de Maio. Algo normal nesse estágio de reversão do nível de atividade que lentamente sai da forte recessão do biênio 2015/16. Com esse pano de fundo, ao qual se soma um panorama internacional tranquilo, com destaque para a alta branda dos juros nos EUA e bom crescimento na China, pergunta-se: o que se esperar para os mercados? Vamos direto aos pontos principais. O BC não deve interromper a trajetória de queda da taxa Selic, hoje em 9,25% ao ano, apesar da mudança da meta de inflação dos atuais 4,5% para 4,25% em 2019 e 4%, em 2020 (+/- 1,5 ponto percentual). Para a próxima reunião do Copom (06/09/2017), o BC já sinalizou que a taxa básica irá ceder para 8,25% em direção a 7,25% a.a, cremos, ao final de 2017. Logo, há espaço para que a curva de juros futuros decline, ainda que o processo não deva ser homogêneo diante da instabilidade política reinante no país. Em relação à taxa de câmbio reforçamos que, não fossem as incertezas políticas, o real já estaria mais forte. A crise brasileira foi geradora de moeda forte; os grandes números para essa variável são positivos (ver acima); e o ambiente internacional não tem grandes riscos no radar. Para o final do ano, cremos que a paridade tenda mais para R$ 3,00 do que para os R$ 3,30 por dólar indicados pela pesquisa semanal Focus mais recente. Há espaço para se atuar nesse mercado, ainda que não se possa desconsiderar o grande peso que as questões políticas têm sobre o câmbio. Apesar dos números ainda tímidos da economia real, a percepção de que a recessão está chegando ao fim tem ajudado o mercado acionário, assim como a queda dos juros locais (custo de oportunidade) e o fluxo de recursos externos. Poderia ser melhor, não fosse o ambiente político. Se a aprovação da reforma trabalhista em Julho, por exemplo, ajudou a alavancar o índice Bovespa, as expectativas de novos fatos na Lava Jato, atuam como freio. São a essas questões que deveremos estar atentos. Não estamos pessimistas, mas há muito a acompanhar nos próximos meses.   Equipe Grau Gestão de Ativos

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