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Comentário Mensal

O pior começa a ser deixado para trás?

  • Nas últimas semanas tivemos mais alguns sinais, ainda que incipientes em sua maior parte, de que a economia brasileira começou a sair do processo de ampla e contínua deterioração que a caracterizou, principalmente, a partir de meados de 2014.
  • Não se trata de abrupta reversão de rota, com forte recuperação do nível de atividade, da confiança e dos investimentos, até porque não há mágica e nem milagres em economia, mas números de diferentes naturezas sugerem que o pior (longo) momento pode estar começando a ser deixado para trás.
  • A economia se encontra num poço profundo e era preciso parar de piorar, o que parece ser o caso. Mesmo que não haja motivo para celebração, é um estágio necessário à recuperação, o que nos dá algum alento.
E quais são os sinais de alento?

  • Em relação ao nível de atividade, o destaque cabe à queda de “apenas” 0,3% do PIB no 1º trim/16 frente ao trimestre anterior contra estimados -0,8%. Abre-se a perspectiva de que não só o PIB fique ”menos pior “ do que os -3% que estimávamos para este ano, mas que também possa crescer mais do que 1,5% em 2017.
  • A produção industrial em abril cresceu 0,1% bem acima dos -0,9% estimados pelo mercado. É o terceiro número positivo nos últimos quatro meses.
  • Números da Associação Brasileira de Supermercados indicam expansão real de 0,65% nas vendas do 1º quad/16 frente a igual período de 2015.
  • Alguns setores (calçados, químicos & veterinários e fumo & couros) que cortaram mais de 100 mil vagas em 2015, mostram variação positiva nas contratações em 2016 (+27 mil até março).
  • O superávit da balança comercial no ano deve chegar ao recorde de US$ 50 bi, o que ajuda a reduzir o déficit em transações para perto de US$ 15 bi no período (abaixo de 1% do PIB contra déficit de 3,3% em 2015).
  • Esperada entrada de US$ 60 bi de investimentos diretos no país, em 2016, mantendo a boa média dos últimos 10 anos.
  • A inflação medida pelo IPCA, apesar do desconforto com o número de maio (o IPCA-15 ficou em 0,86% contra estimados 0,75%), deve ficar mais de três pontos percentuais abaixo dos 10,7% observados no ano passado.
É preciso manter os pés no chão!
  • A despeito dos sinais de melhora, é fácil listar números econômicos negativos que junto às incertezas políticas locais e às interrogações do cenário internacional, mantém a apreensão dos agentes econômicos e nos sugere manter os pés no chão:
    1. A taxa de desemprego medida pelo PNAD subiu de 10,9% em março para o patamar recorde de 11,2% em abril e deve seguir em alta por alguns meses.
    2. A inflação ainda ficará acima do teto da meta estabelecida para 2016 e segue reduzindo o poder aquisitivo do consumidor.
    3. Os números positivos do setor externo são, em boa parte, consequência da forte recessão econômica vigente no país.
    4. O instável ambiente político trata de questões decisivas como o impeachment (confirmado?) e as implicações da operação Lava a Jato.
    5. Os desafios do governo Temer para aprovar no Congresso Nacional as medidas de ajuste fiscal de curto e, principalmente, de longo prazo.
E o ambiente internacional?

  • Além disso, existem incertezas relevantes no front internacional, tais como:
    1. Timing do novo movimento de alta dos juros nos EUA (depois de números surpreendentemente ruins para o mercado de trabalho em maio, a taxa do fed fund rate deve subir só em julho e não mais neste mês, como era esperado).
    2. Eleições nos EUA, com o componente de um candidato fora dos padrões usuais (as chances do candidato D. Trump não são desprezíveis).
    3. Decisão popular sobre permanência do Reino Unido na União Europeia.
    4. Desenrolar do nível de atividade na China (questão já bem antiga e requentada, mas que segue tendo impacto na cotação das commodities).
Nesse pano de fundo, como ficam os mercados?

  • Mantivemos, nesse contexto, a nossa percepção sobre os preços dos ativos.
  • Os juros futuros têm espaço para ceder, mas o movimento deve ser gradual. Não acreditamos em queda da taxa Selic em junho e julho (inflação acima do esperado em maio), mas a partir de agosto as chances de retração crescem.
  • A taxa de câmbio tende a flutuar em torno de R$ 3,50/dólar, mais ao sabor das questões políticas internas e internacionais, já que o ótimo desempenho das contas externas favorece o fortalecimento da moeda brasileira.
  •  A bolsa de valores gira ao redor de 51 mil pontos e só deve apresentar alta mais consistente caso o investidor estrangeiro se convença que o Brasil está em fase de superação de seus desafios. Muito difícil! Os fracos resultados apresentados pelas empresas em operação no país reforçam a dificuldade.
  • Em suma, há prêmio potencial nos mercados, mas todo cuidado é pouco diante das incertezas internacionais e do noticiário político & policial local, fartos em surpresas nos últimos tempos.
Atenciosamente, Equipe Grau Gestão

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